Uma notícia:
Sacha Arcanjo ganha uma
view. Agora tá na net. Agora é do mundo. Ele, que é pura arte, celebração da vida entre o lúcido e o lúdico, o sagrado e profano, o popular e o erudito, o lírico e o moderno, o real e o imaginário.
A quem não o conhece, esse texto aqui parece letra enfadonha, apressada e afetada de fã. E é! Que seja... pois são vários, tantos, diversos, intensos e sinceros outros que concordam comigo e retransmitem a mesma mensagem, que fico tranquilo em endossar o documento já assinado há tanto (e por tantos).
Pois se
Sacha aportou nessa São Miguel Paulista ("paulista" de sobrenome, mas cosmopolita em seu abraço e provinciana no amor a seus "filhos"), vindo de São Gabriel, Bahia, há quarenta anos, esse foi um presente que todo o bairro (e a cidade de Sampa; e o estado de São Paulo, e o Brasil) agradecem, entre sinceros e comovidos.
Primeiro o
bichogrilo juntou-se a Raberuan, para formar a dupla mais fecunda do Movimento Popular de Arte (MPA), surgido no final da década de 70 do século passado justamente para congregar todo o trabalho cultural e artístico que nascia e crescia no ventre do bairro naqueles tempos. Ao mesmo tempo, crescia em si a consciência do "por fazer" miltoniano ("
todo artista tem que ir aonde o povo está"), e, em consequência disso, a militância cultural, política e social por uma cidade melhor, uma vida melhor, uma arte melhor.
Um dos resultados disso é que desde que a Oficina Cultural Luiz Gonzaga foi reaberta no bairro, em 1998, é
Sacha que a coordena, com coerência e esmero. Quem comprova essa postulação é Nando Z, Simone Siraque, André Marques, Drica, Claudemir "Dark´ney" Santos, Ivan Néris, Rodrigo Marrom, Tarcísio Hayashi, Vinícius e Caio Casé, Alyne Garroti, Keila Fuke, Isadora Diaz, Jocélio Amaro, Thiago Araújo, Sueli Oliveira, Flávia Bertinelli, Cléber Eduão, Éder Fersant, e múltiplos outros, que entenderam sua mensagem e levam avante esta bandeira de fazer, pensar e distribuir arte enquanto elemento norteador da vida, em sua singularidade e pluralidade.
Dono de uma carreira incadescente, o
Arcanjo tem 4 CDs lançados: "
Feito Bicho" (2000), "
O Inocente" (2004), "
Sacha Arcanjo" (2008), e "
Sacha 60" (2009), este uma compilação de seus maiores sucessos que muitos de seus fãs e amigos gravaram para ofertar-lhe como presente pela pasagem de seu 60. aniversário, em novembro último. Seus shows têm rolado com frequência nos mais diversos espaços, onde sempre podemos notar o carinho que o público lhe dedica quando ouve alguns de seus sucessos, como "
Chão Americano", "
Projeção", "
Bênção", "
Jangadeiro", "
Leve", "
O Maior Carente", "
Menina Singela", entre muitos outros. Ou quando nos recupera os ricos repertórios de Zé Geraldo, Luiz Gonzaga e Alceu Valença, para nossa degustação inebriada.
Dono de uma voz maviosa e
caymmiana em sua dolência tranquila; de uma poesia que tanto pode ser certeira e exata quanto lírica e cerebral; cortante e rural, como urbana e moderna; recupera a expressão sonora dos mesmos moldes que ajudaram um dia a confeitar os versos de Cartola, Cazuza e Gonzaguinha, sem denotar para isso uma influência direta, mas apenas relatando que essas terras que nos ofertam tantos jogadores de futebol, tanto oferecem talentos musicais a granel.
Sacha Arcanjo é um deles.